Com o dito "Senhores Anunciantes, prometemos ajudar-vos a resolver a crise!"
Esta graça, dita à laia de bazófia, virou-se contra nós: a crise continuou, os homens sérios soçobraram, e nada pudemos fazer pelos anunciantes e eles pouco por nós.
Na crise o que está a dar é a corrupção, pelo que se fala. Infelizmente, não conhecemos pessoalmente nenhuns corruptos, mas deixamos na mesma à porta da revista umas tigelas grandes para as "ofertas" que entendam dever fazer pelo Natal. No Natal passado deixámos os sapatinhos tradicionais, a ver se alguns anunciantes se enchiam (e nos enchiam) de espírito natalício mas com grande desilusão nossa a 26 de Dezembro nem os sapatinhos lá estavam...
Para disfarçar a crise, a 16 de Outubro celebrámos o nosso 20º aniversário no Palacete do Hotel Tivoli, com pompa e circunstância. Tudo o que a revista tem feito nestes 20 anos demo-lo a conhecer no Editorial da revista desse mês, que distribuímos na festa a cerca de 400 convidados. Como na festa já não cabia mais ninguém, matámos um galerista belga e prendemos um artista português (suspeito de ter assassinado o galerista) para arranjar mais espaço. Acabámos por ter de soltar os outros suspeitos, a Graça Morais, a Joana Vasconcelos e o José de Guimarães, por falta de provas. Foi divertido.
No Gosto dos Outros, começámos o ano com Jorge Sampaio e acabamos com Eduardo Souto de Moura, que nos digna honrar a ilustre galeria que este ano incluiu Manuel Alegre, Guilherme d'Oliveira Martins, Maria Cavaco Silva, Eunice Muñoz, Zita Seabra e António Victorino d'Almeida.
Para este número fomos à Gulbenkian ver como se montava uma exposição ("Art Déco") e entrevistar Jorge Molder. Sobre a demissão de Pedro Lapa falam Cristina Campos e João Pinharanda. Este último, no seu "Perfil de Director", debruça-se também sobre a demissão de Dalila Rodrigues. Deitámos um olhar ao Príncipe Real Live e "Um Outro Olhar" ao Museu de Artes Decorativas da Fundação Ricardo do Espírito Santo. Entrevistámos ainda Andrea Baginski e Julian Bell. Jorge Pereira de Almeida faz o balanço dos leilões internacionais em 2009 e dá notas à nova ministra da Cultura.
E, como é Natal, ainda fomos gastar os poucos dinheirinhos que nos restam em pratas, porcelanas e antiguidades, para premiar os anunciantes que deixarem as maiores "ofertas" à nossa porta. Ainda dentro do espírito natalício, temos para oferecer na consoada "Sopa de Barbatana de Tubarão", de Paulo Teixeira Pinto.
por: José Pedro Paço D'Arcos