
A arte é um produto de consumo, seja financeiro ou intelectual, mas nunca é de mais lembrar a velha história de Van Gogh, artista obcecado pela perfeição das suas criações, que nunca vendeu um único quadro em vida.
Amado por uns e odiado por outros, tão criticado como celebrado pelos próprios agentes que compõem o campo artístico (artistas, curadores, críticos), o mercado de arte suscita paixões, incompreensões, dividindo argumentos dos inimigos e aliados das suas práticas. Serão bastantes os preconceitos que existem sobre a actividade de vender arte, mas também algumas as razões que levam os mais críticos a exigir menor arrogância e elitismo perante o público e maior empenho numa mais efectiva promoção do fenómeno artístico, através da sua participação em outras actividades culturais cujo objectivo imediato não seja ganhar dinheiro.
Ainda assim, com ou sem Damien Hirst por perto, a desencadear notícias bombásticas sobre estratégias de marketing e muitas dúvidas sobre a qualidade da sua actual produção artística, a verdade é que por estes dias são redobradas as atenções que recaem sobre a economia da arte no panorama nacional e internacional.
Coincidindo com o mês de realização da Arte Lisboa - Feira de Arte Contemporânea, quisemos dedicar parte deste número à observação do panorama galerístico português. Fomos ouvir o que pensam os seus representantes para obter opiniões, leituras subjectivas e um discurso crítico sobre o estado das coisas e os actuais desafios da actividade. E foram três os pontos de vista que assumimos: publicamos a transcrição do debate que reuniu em torno do tema os galeristas Fernando Santos, Maria de Belém (Presença), Mário Teixeira da Silva (Módulo) e Miguel Nabinho (Lisboa 20); fomos ao encontro de Pedro Cera, Presidente da APGA - Associação Portuguesa de Galerias de Arte que concedeu uma entrevista a Cristina Campos; finalmente analisamos as características e as tendências do movimento económico actual num artigo sobre as feiras de arte.
Neste número também oferecemos críticas às exposições "Anos 70 Atravessar Fronteiras" no CAMJAP - Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão - e "Common Culture Nightclub" na Galeria Solar, em Vila do Conde, um texto sobre a exposição de Eduardo Batarda no CAMB - Centro de Arte Manuel de Brito da autoria de Fátima Vieira e um artigo dedicado à Grécia, de Teresa Pearce de Azevedo. E, porque recebemos a boa notícia: Miguel Von Hafe Pérez foi nomeado director do CGAC - Centro Galego de Arte Contemporânea - não quisemos perder a oportunidade de o entrevistar sobre o seu novo projecto de direcção.

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