A revista Artes & Leilões celebra este mês 20 anos

Desde o lançamento do seu primeiro número em Outubro de 1989. Naquele tempo - tão distante que soa a evangelho - não havia revistas de artes plásticas em Portugal. A pouca cobertura do que cá se fazia no campo das artes dava-se a conhecer através da Colóquio Artes, da Fundação Gulbenkian.

Com a suspensão da A & L em Maio de 1996, as artes portuguesas ficaram sem arauto condigno, pois as duas ou três revistas concorrentes poucos meses duraram. Em fins desse ano de 1996 aparecia a Arte Ibérica (feita por quadros da A & L), ela própria suspendendo a publicação alguns anos depois. No vácuo que se criou então, a L+ Arte lançou-se no mercado e durante anos lânguidos foi fazendo o seu caminho, sem pressa de chegar. Mediante a ameaça de concorrência da A & L, relançada em Outubro de 2007, aprimorou-se e ganhou pedalada.

Tendo herdado os colaboradores e o modelo da Arte Ibérica (por sua vez herdeira da A & L original), constituiu um obstáculo forte à implantação da nova série da A & L. O mercado português é exíguo para duas revistas que concorram ao mesmo público. Ao relançarmos a A & L decidimos não concorrer contra nós próprios, soit disant, e reinventámos o modelo de uma revista de arte que se destinasse não só aos artistas, galeristas, coleccionadores, antiquários e leiloeiros, mas também a empresários, políticos, banqueiros, entidades culturais, etc. Publicámos extensos dossiers de 40 a 50 páginas sobre a arte e a cultura de países tão díspares como a Índia, Estados Unidos, Alemanha, Brasil, China, Argentina, Angola e Caraíbas. Tentámos estender esses dossiers às autarquias nacionais, tendo tido algum sucesso com o Porto, Oeiras, Bragança, Évora e Coimbra, justamente o dossier deste número de aniversário e também capa do mesmo. No número de Outubro do ano passado publicámos um dossier sobre as fundações em Portugal e organizámos um seminário sobre o tema.

No campo dos media, desenvolvemos parcerias com o semanário Sol (que desde o início nos acompanha), a Vida Económica e o Rádio Clube Português, e relançámos o Guia d'Arte com a Guimarães Editores. Noutros campos, durante dez meses mostrámos em primeira mão a colecção do Millennium bcp, que juntámos depois numa edição especial "Arte Partilhada" para este distribuir nos seus já famosos encontros pelo país. A nossa parceria com o Millennium inclui ainda uma newsletter "Investir em Arte" para os seus clientes private. Do Millennium transitámos para o Museu Colecção Berardo, parceria ainda em curso. Durante quase um ano fomos a única revista a estar presente em todos os quartos das Pousadas de Portugal. Organizámos almoços/debates quase mensais no Hotel Tivoli, nosso parceiro por excelência, que também nos ofereceu o seu Palacete em Lisboa, recentemente inaugurado, para a celebração neste mês de Outubro do aniversário da revista. Convidámos para esses almoços galeristas, leiloeiros, artistas, críticos, directores de museus e ... políticos, para sermos politicamente correctos. Todos estes debates sobre assuntos do máximo interesse sobre a arte e a cultura (alguns controversos) foram publicados na revista e passados em vídeo no nosso website.

Ainda dentro do politicamente correcto, publicámos uma sondagem sobre a arte em Portugal e indagámos de várias figuras públicas qual a sua obra de arte preferida. Pela simpatia com que acolheram este nosso pedido, aproveitamos para agradecer aqui a Manuel Alegre, Guilherme d'Oliveira Martins, Maria Cavaco Silva, Eunice Muñoz, Zita Seabra, António Victorino d'Almeida, Jorge Sampaio, Filipe Pinhal, Urbano Tavares Rodrigues, Odete Santos, Paula Moura Pinheiro e Miguel Sousa Tavares, por ordem cronológica inversa de publicação.

E já que passei aos agradecimentos e que tenho de acabar a prosa que vai comprida demais, agradecemos aos assinantes e leitores fiéis a confiança que em nós depositaram. Aos anunciantes agradecemos a confiança e o dinheiro. Às artes e aos leilões em geral (incluindo os antiquários), a nossa verdadeira razão de ser e do nome, e a todos os seus protagonistas, obrigado, thank you, merci (só falo três línguas). Estão todos convidados para a nossa festa de aniversário.

Aos nossos colaboradores permanentes e ocasionais e ao pessoal da revista, que por serem poucos trabalham muito, muchas gracias (afinal falo quatro) pela vossa total dedicação e pelas horas perdidas a escrever, a rever, a reescrever, a rerever... a paginar, repaginar, artcetera...

 

por: José Pedro Paço d’Arcos

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